Case CI&T: como um piloto de mobilidade triplicou a mudança modal em 5 meses

A categoria 7 do Escopo 3 — o deslocamento casa-trabalho dos colaboradores — é uma das mais difíceis de medir e, de longe, a mais difícil de reduzir. Medir já exige sair da estimativa de planilha e chegar ao dado primário. Reduzir exige algo que nenhum inventário entrega sozinho: fazer centenas de pessoas mudarem, de fato, como vão trabalhar todo dia.
Entre dezembro de 2025 e junho de 2026, a CI&T rodou um piloto do programa Ecomilhas com seus colaboradores. Os resultados foram medidos em duas ondas de pesquisa de percepção, conduzidas pela própria equipe de Sustentabilidade Ambiental da CI&T, e cruzados com os dados operacionais da plataforma.
O indicador que mais importa saiu de 14,6% para 38%.
O piloto em números
O programa foi aberto para os colaboradores em duas fases — a primeira de dezembro/2025 a março/2026, a segunda de março a junho/2026 — com pesquisas de percepção ao final de cada uma (n=41 e n=37, voluntárias e anônimas).
- 399 colaboradores cadastrados, o equivalente a 57% de cobertura do público-alvo
- 11.865 trajetos validados ao longo do piloto
- 9,55 tCO₂e de emissões evitadas
- 21.062 ecomilhas geradas e distribuídas aos participantes
- 48,7% dos trajetos registrados em modais sustentáveis
O resultado que importa: 38% mudaram como se deslocam
Mudança modal é a alteração efetiva do meio de transporte no deslocamento diário. É o indicador que se conecta diretamente à meta de redução do Escopo 3 no inventário de GHG da empresa — e é o mais difícil de mover, porque depende de hábito, não de comunicação.
Na 1ª fase, 14,6% dos respondentes disseram ter mudado ou mudado parcialmente o modo de deslocamento. Na 2ª fase, 38%.
São +23,4 pontos percentuais em cinco meses — quase o triplo do resultado inicial. Não é intenção declarada em pesquisa de clima: é comportamento reportado por quem estava registrando trajeto por GPS todo dia.
Engajamento ativo saltou 35 pontos
Programa de engajamento morre por abandono silencioso. O dado mais revelador do piloto é o oposto disso:
| Frequência de uso | 1ª fase | 2ª fase |
| :---- | :---- | :---- |
| Diariamente | 12,2% | 51,4% |
| Semanalmente | 31,7% | 35,1% |
| Engajamento ativo (diário + semanal) | 51,2% | 86,5% |
| Esporádico ou quase nenhum | 56,1% | 13,5% |
O uso diário passou de 12,2% para 51,4%. O grupo que "quase não utilizou" caiu de 48,8% para 5,4%. Na prática: o programa deixou de ser uma campanha que as pessoas lembram de vez em quando e virou parte da rotina de ir trabalhar.
A consciência ambiental subiu junto
A pesquisa mediu cinco indicadores de percepção ambiental. Dois deles evoluíram de forma expressiva entre as fases:
- "A iniciativa aumentou meu engajamento com sustentabilidade corporativa" — de 61% para 78% de "sim" (89% somando "sim" e "parcialmente"). Alta de 17 pontos.
- "Senti que minha participação contribuiu para a redução de emissões" — de 49% para 62% de "sim". Alta de 13 pontos.
- "O app me ajudou a entender como meus deslocamentos geram emissões" — 62% de "sim", 89% somando "sim" e "parcialmente".
O primeiro é o mais estratégico dos cinco. Ele mostra que o efeito não fica contido na mobilidade: o colaborador passa a associar a própria escolha diária à agenda ambiental da empresa. É a diferença entre um benefício de transporte e um programa de cultura.
O insight que vale para qualquer programa de engajamento
Entre as recomendações que a equipe da CI&T registrou para o roll-out, uma vale para qualquer empresa que esteja desenhando um programa assim:
O sucesso não deve ser medido por cadastros — fáceis de inflar —, mas pelo percentual de colaboradores com pelo menos um trajeto sustentável por semana.
Cadastro é vaidade. Adesão declarada é vaidade. O que entra no inventário, o que vira tCO₂e evitada e o que sustenta o programa no segundo ano é a recorrência do comportamento. É esse o número que recomendamos colocar no painel do comitê de sustentabilidade.
O que os participantes disseram
"O programa vale muito a pena. A mudança para o ônibus fretado me ajudou a entender o impacto real do meu deslocamento."
— Colaborador que mudou de modal durante o piloto
Mais de 90% dos respondentes querem que o programa continue. A pesquisa também produziu uma lista de melhorias de produto pedidas pelos usuários — de opções de resgate a comunicação e onboarding — que foi incorporada ao nosso roadmap e é parte do que torna um piloto útil.
O que vem agora
Com a validação de conceito das duas fases, o programa avança para expansão na operação de Campinas, com mais de 700 colaboradores no escopo.
O piloto mostrou o que a Ecomilhas defende desde o começo: dado primário auditável e recompensa real, juntos, movem comportamento. Um mede o Escopo 3 com trilha por viagem. O outro faz as pessoas quererem participar. Separados, viram relatório ou campanha. Juntos, viram redução.
Quer rodar um piloto assim na sua empresa? Medimos as categorias 6 e 7 do Escopo 3 por GPS, com trilha auditável por trajeto, e recompensamos quem escolhe o modal de menor emissão. Onboarding pelo app, sem integração de TI.
Dados do piloto Ecomilhas × CI&T, dez/2025–jun/2026. Pesquisas de percepção conduzidas pela equipe de Sustentabilidade Ambiental da CI&T (1ª fase n=41, mar/2026; 2ª fase n=37, jul/2026). Publicado com autorização da CI&T.
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